Thursday, November 24, 2005

O prazer de varrer as folhas

Recentemente fiz uma pequena viajem a São Paulo. Estive surpreso com a imensidão do lugar e de perceber a infinidade de pessoas que se aglomeram em pequeníssimas áreas. Nunca havia parado para pensar o que representa um edifício: imaginei centenas de pessoas tentando viver em uma área de cinqüenta metros quadrados no século XIV, e com isso aprendi alguns valores que pensava já conhecer.

O quão somos nos, habitantes de pequenas e médias cidades, privilegiados por podermos, ainda, sentir o cheiro das árvores que as vezes emana pela manhã e em alguns dias sermos obrigados a varrer as folhas secas que se espalharam com o poder dos ventos pelo quintal, terraço ou pela calçada! Percebi que essas coisas contribuem para a vida com uma medida muito maior daquela que é normal se pensar. Talvez por fazerem parte do cotidiano natural do homem primitivo, como se a importância do contato com a natureza fosse uma herança que aflora os instintos e nos ajuda a compreender a vida.

E estas pessoas que “vivem em seus rápidos” como escreveu Saint-Exupéry, não são mais capazes de perceber a falta que faz a elas o contato com a natureza, ou seja, como o que é natural, com aquilo que não foi modificado pelo homem e por isso é expressão direta de Amor. Entendi que a falta de tempo, a falta de espaço e outras tantas faltas faz mais difícil viver o Amor nas grandes cidades. Mas em compensação, expandi meus horizontes e questionei: se é tão fácil para essas pessoas terem conhecimento de qualquer coisa ou sobre qualquer parte do mudo, por que não conhecem o verdadeiro Amor!?

Tais descobertas a um tempo atrás me transformariam na pessoa mais triste de qualquer lugar que fosse. Mas hoje sou capaz de alegrar-me por tais motivos, pois fui capaz de enxergar a dimensão do mundo que necessita da minha ajuda. E uso o pronome possessivo não com uma atitude prepotente ou egoísta, mas de compromisso! Pois a medida dos nossos sonhos deve ser a medida da mudança que o mundo precisa.

- Eles estão com muita pressa? – disse o principezinho – o que é que estão procurando?

- Nem o homem da locomotiva sabe – disse o guarda chaves – (...) não perseguem nada. Estão lá dentro dormindo ou bocejando. Só as crianças esmagam o nariz nas vidraças.

- Só as crianças sabem o que procuram – disse o principezinho(...)

- Elas são felizes – disse o guarda chaves.

(Sain-Exupéry, Antoine – O Pequeno Príncipe)

Tuesday, November 22, 2005

PENSO, logo existo, logo se eu não pensar...

Existem alguns casos de "opinião formada". destacam-se dois: Aquelas pessoas que formam efetivamente a opinião, ou seja, pensam para chegar a uma conclusão. E aquelas que adotam uma opinião. Este segundo caso, infelizmente, é a maioria, pois, simplesmente, é mais fácil assim!
Houve um tempo em que a imagem era rara na informação. Assim, era difíc
il não refletir sobre o objetivo da mesma. Soma-se isto ao fato que obtinha-se esta informação uma única ou pouquíssimas vezes e deste modo para continuar beneficiando-se de tal conhecimento era necessário pensar sobre ele. Hoje, a televisão, os jornais, os rádios, e etc., são capazes de dar-nos a mesma notícia no café da manha, no almoço e no jantar. E, não sendo suficiente o caráter informativo, os comentários são sempre os mesmos, sem direito a debates. Resumindo, "os meios de comunicação estão nos dando tudo mastigado para comermos sem reclamar".
Ora! É fácil concluir que estamos vivendo em um mundo onde é fácil ser manipulado. A dificuldade está em reconhecermos em nos mesmos em que armadilhas caímos. Estes recursos baixos tornam nosso cotidiano uma prisão, e ninguém que viva em sociedade está totalmente livre destas grades.

É extremamente necessário, para o bem comum, que paremos para analisar os fatos e as notícias que nos rodeiam. Para livrar-nos e ajudar aos outros a livrarem-se destas armadilhas. É preciso que pensemos juntos, pois certas armadilhas podem esta
r entranhadas em nossas mentes ou até mesmo em nossos corações e , nestes casos somente quem "vê de fora" pode indicar ao certo o caminho do pensamento.
Então, estejamos mais atentos. E, antes de expressar um julgamento, julguemos a nos mesmos.